sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Reflexões de uma ciência a qualquer custo

O progresso da ciência nos últimos anos é algo astrondoso e que também nos assusta. Muito se evoluiu: a descoberta de novas tecnologias, homens indo à lua, medicamento revolucionando vidas. Mas, tudo isso a que preço? Quantas vidas foram ceifadas para se descobrir o mecanismo de funcionamento de uma células ou mesmo como enfermidades agiam dentro do corpo humano?
Algumas perguntas começam a ser esclarecidas. Mas certamente tantas outras ficaram na obscuridade da falta de ética e compromisso com atitudes humanizadas.
Questões etnorraciais permeiam a ciência e ficaram evidentes com a descoberta do uso de presidiários, negros judeus como cobaias em experimentos não consentidos ou pouco  esclarecidos  do seu risco potencial.
Construir uma nova ciência a cada dia é mais do que necessário, o mundo precisa disso. O que nos preocupa é o fato de quanto isso tudo custará a todos, sob o ponto de vista moral, e também para aqueles que apenas consentem que o progresso venha sem medir as consequências.
Para se ter uma nova perspectiva é imprescindível formar futuros pesquisadores conscientes de suas ações e imbuidos de uma ciência " limpa". Pessoas engajadas em promover avanços baseados em compromissos com o ser humano e não com a indústria multibilionária da medicina.
Mas, onde se aprende a ser assim? Dentro da sala de aula. Tudo isso é questão de uma formação adequada, baseada em princípios norteadores de uma prática livre de preconceitos e pactuadas com o progresso do ser humano.
O professor tem papel determinante na construção de um ensino de qualidade sob dimensões variadas. Pensar que seu aluno deve ter um olhar crítico e envolvido com as questões do seu cotidiano, trazer argumentos reais baseados na ética e humanizadoras.
Situações como a de Henrietta Lacks provavelmente ocorrerão aos montes e não temos conhecimento. Mas algo me inquieta sob o ponto de vista pedagógico. Como terá sido a formação dos pesquisadores que utilizaram as células HeLa? Talvez possam ter aprendido que a ciência pode se sobrepor a tudo. E outra pergunta pertubadora. Como estamos formando hoje nos futuros pesquisadores?
    
 

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